terça-feira, 24 de novembro de 2009


Já estreou "Ave Maria Não Morro",
uma Operíssima Experimentosa de Chuveiro.
Nela, compus a trilha e fiz a direção musical.
Trabalhei com conceitos altenativos de canto, afinação, textura, uso não convencional de instrumentos e processos baseados em improviso direcionado.
Em breve, fazerei uma declaração de como pensei, montei e resolvi a história.

Vai ser legal!

De 3a a domingo , até 11/12
21 hs no Teuni (UFPR da Santos Andrade)
Abrax e até lá!
galera to voltando!!

voltando

There is an idea, the basis of an interval structure, expanded and split
into different shapes or groups of sound constantly changing in shape,
direction and speed, attracted and repulsed by various forces

Edgard Varèse, "The Liberation of Sound." B. Boretz and E. T. Cone, eds.,
Perspectives on American Composers (New York, 197 1 ), p. 30

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Samba ROCK!!!!!!

http://www.ideafixa.com/3/flippt.php

sábado, 7 de novembro de 2009

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Fotos de ensaio

Muito bem, meus caros. Seguem as primeiras fotos, de algumas cenas que estamos experimentando.

Já com mais de um mês de ensaios, estamos chegando a um formato bastante interessante, dando continuidade às pesquisas que a Processo Multiartes desenvolve em artes cênicas.

Nosso time, in loco:

Mariana Gomez (Preparação Corporal e Direção de Movimento), Paulo Ugolini, Carolina Maia, Samir el Halab, Ângelo Luz, Roberval Carvalho, Aline Silva, Rose Silva.

Nos instrumentos, puxando a torcida:
Jorge Falcón (dirigindo), Daniel Medeiros (nosso maestro dos pampas), Taianara Goedert (lindo vibrafone), Gabriel (Guitar Hero), André Deschamps (Saxxxxxxxxx).

Produção: Super Sara Eduarda, Meire, Izabella, dirigidos por Judite Fioreze.

Luz e Cenários: Waldo César León.

Figurinos: Eduardo Giacomini.
Super vídeo-maker: O processiano Fabio Allon.

Espero não ter esquecido ninguém...
Ah, claro, o diretor!!!!!!
(Afff, coloco o meu pescoço em risco neste momento, heheh)
Direção: Adriano Esturilho
Assistente de Direção: Este que vos escreve - Andrew knoll


Em breve, mais notícias do andamento da partida!!

Finish Him! Fight!



Foto de ensaio

Marcelo Nova - Simca Chambord / Grandes encontros 2009

Blitz - "A Dois Passos do Paraíso"

Blitz - "Você não soube me amar" (Fantástico 1982)

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

músicas

Seres Tupy (Ney Matogrosso/ Pedro Luís e a Parede)

Seres ou não seres
Eis a questão
Raça mutante por degradação

Seu dialeto sugere um som
São movimentos de uma nação

Raps e Hippies
E roupas rasgadas
Ouço acentos
Palavras largadas
Pelas calçadas sem arquiteto
Casas montadas, estranho projeto
Beira de mangue, alto de morro
Pelas marquises, debaixo do esporro
Do viaduto, seguem viagem
Sem salvo conduto é cara a passagem
Por essa vida, que disparate
Vida de cão, refrão que me bate

De Porto Alegre ao Acre
A pobreza só muda o sotaque

Lá vem a Cidade (Lenine/Bráulio Tavares)

EU VIM PLANTAR MEU CASTELO
NAQUELA SERRA DE LÁ,
ONDE DAQUI A CEM ANOS
VAI SER UMA BEIRA-MAR...

VI A CIDADE PASSANDO,
RUGINDO, ATRAVÉS DE MIM...
CADA VIDA
ERA UMA BATIDA
DUM IMENSO TAMBORIM.
EU ERA O LUGAR, ELA ERA A VIAGEM
CADA UM ERA REAL, CADA OUTRO ERA MIRAGEM.

EU ERA TRANSPARENTE E ERA GIGANTE
EU ERA A CRUZA ENTRE O SEMPRE E O INSTANTE.
LETRAS MISTURADAS COM METAL
E A CIDADE CRESCIA COMO UM ANIMAL,
EM ESTRUTURAS POSTIÇAS,
SOBRE AREIAS MOVEDIÇAS,
SOBRE OSSADAS E CARNIÇAS,
SOBRE O PÂNTANO QUE COBRE O SAMBAQUI...
SOBRE O PAÍS ANCESTRAL
SOBRE A FOLHA DO JORNAL
SOBRE A CAMA DE CASAL ONDE EU NASCI.

EU VIM PLANTAR MEU CASTELO
NAQUELA SERRA DE LÁ,
ONDE DAQUI A CEM ANOS
VAI SER UMA BEIRA-MAR...

A CIDADE
PASSOU ME LAVRANDO TODO...
A CIDADE
CHEGOU ME PASSOU NO RODO...
PASSOU COMO UM CAMINHÃO
PASSA ATRAVÉS DE UM SEGUNDO
QUANDO DESCE A LADEIRA NA BANGUELA...
VEIO COM LUZES E SONS.
COM SONHOS MAUS, SONHOS BONS.
FALAVA COMO UM CAMÕES,
GEMIA FEITO PANTERA.
ELA ERA...
BELA... FERA.

DESTA CIDADE UM DIA SÓ RESTARÁ
O VENTO QUE LEVOU MEU VERSO EMBORA...
MAS ONDE ELE ESTIVER, ELA ESTARÁ:
UM SERÁ O MUNDO DE DENTRO,
SERÁ O OUTRO O MUNDO DE FORA.

VI A CIDADE FERVENDO
NA EMULSÃO DA RETINA.
CREPITAR DE VIDA ARDENDO,
MARIPOSA E LAMPARINA.
A CIDADE ENSURDECIA,
RUGIA COMO UM INCÊNDIO,
ERA VENENO E VACINA...

EU VIM PLANTAR MEU CASTELO
NAQUELA SERRA DE LÁ,
ONDE DAQUI A CEM ANOS
VAI SER UMA BEIRA-MAR...

EU PAIRAVA NO AR, E OLHAVA A CIDADE
PASSANDO VELOZ LÁ EMBAIXO DE MIM.
ERAM DEZ MILHÕES DE MENTES,
DEZ MILHÕES DE INCONSCIENTES,
SE MISTURAM... VIRAM ENTES...
OS QUAIS CONDUZEM AS GENTES
COMO SE FOSSEM CORRENTES
DUM RIO QUE NÃO TEM FIM?

ESSE RUÍDO
SÃO OS SÉCULOS PINGANDO...
E AS CIDADES CRESCENDO E SE CRUZANDO
COMO CÍRCULOS NA ÁGUA DA LAGOA.
E EU VI NUVENS DE POEIRA
E VI UMA TRIBO INTEIRA
FUGINDO EM TODA CARREIRA
PISANDO
EM ROÇA E FOGUEIRA
GANHANDO UMA RIBANCEIRA...
E A CIDADE VINHA VINDO,
A CIDADE VINHA ANDANDO,
A CIDADE INTUMESCENDO:
CRESCENDO... SE APROXIMANDO.

EU VIM PLANTAR MEU CASTELO
NAQUELA SERRA DE LÁ,
ONDE DAQUI A CEM ANOS
VAI SER UMA BEIRA-MAR...

Rua da Passagem (Trânsito)

(Lenine/Arnaldo Antunes)

Os curiosos atrapalham o trânsito
Gentileza é fundamental

Não adianta esquentar a cabeça
Não precisa avançar no sinal

Dando seta pra mudar de pista
Ou pra entrar na transversal

Pisca alerta pra encostar na guia
Pára brisa para o temporal

Já buzinou, espere, não insista,
Desencoste o seu do meu metal

Devagar pra contemplar a vista
Menos peso do pé no pedal

Não se deve atropelar um cachorro
Nem qualquer outro animal

Todo mundo tem direito à vida
Todo mundo tem direito igual

Motoqueiro caminhão pedestre
Carro importado carro nacional

Mas tem que dirigir direito
Para não congestionar o local

Tanto faz você chegar primeiro
O primeiro foi seu ancestral

É melhor você chegar inteiro
Com seu venoso e seu arterial

A cidade é tanto do mendigo
Quanto do policial

Todo mundo tem direito à vida
Todo mundo tem direito igual

Travesti trabalhador turista
Solitário família casal

Todo mundo tem direito à vida
Todo mundo tem direito igual

Sem ter medo de andar na rua
Porque a rua é o seu quintal

Todo mundo tem direito à vida
Todo mundo tem direito igual

Boa noite, tudo bem, bom dia,
Gentileza é fundamental

Pisca alerta pra encostar na guia
Com licença, obrigado, até logo, tchau.

A todas as comunidades do engenho novo (o Rappa)

(Falcão/Zandão)

Eu moro na comunidade do Engenho Novo
À todas as comunidades do Engenho Novo

Tenho referencial para chegar no
Bairro então
Souza Barros 24 e a Marechal Rondon
Tem Buraco do Padre para quem
Quiser passar
Tem igreja Conceição para quem
Quiser rezar

À todas as comunidades do Engenho Novo
Eu moro na comunidade do Engenho Novo

Em todo lugar pela-saco tem
No Engenho não é diferente
Tem pela-saco também
Pra não parecer que é marra minha,
Meu irmão no Engenho tem gente fina
Gatinha e sangue bom
Todo mundo diz que o funqueiro
É um animal
Pela-saco falador tem tudo que
Tomar um pau
Quando chega a tarde a sensação
É o futebol
E a noite com a gatinha
Curtir um baile na moral

É, a todos os bailes eu quero agradecer
Tem Sargento, Magnatas e também
o Garnier
Céu Azul, Matriz, Rato Molhado, Jacaré,
São João, Mangueira, Sampaio, fiquei na fé

Cabeça feita em casa ou em qualquer lugar
Pra quem gosta do assunto vamos
Logo "shapear"
Quando chega a tarde
No Parque Santos Dumont
Pra quem não conhece o Engenho
Tá convidado sangue bom

Eu moro na comunidade do Engenho Novo,
À todas as comunidades do Engenho Novo

Partideiro que é partideiro não
Pode vacilar
Quando entra no samba tem
Que versar
Quando entra no samba
Não pode ficar de blá-blá-blá
Muitas pessoas vão se
Influenciar
E vão falar pra você
Não aparecer mais por lá
Só que a questão
Camarada sangue bom
É tudo sem interesse
É tudo de coração
Quem fuma, quem fuma,
Quem bebe, quem cheira
Tem que chegar no sapatinho
E não ficar de bobeira

Porque quem está lá em cima
Não
tá de vacilação
Está de olho no movimento
Está de olho na situação

Quem está lá em cima
Não
está de bobeira não
Está ligado no movimento
Está ligado na situação

Morteiro na mão,
Estrondo no ar
Avisando que a polícia
Qualquer hora vai chegar

O morro amado
Ao mesmo tempo temido
Do comandado por irmãos
Comandado por amigo
Só que a questão
Camarada sangue bom
É tudo sem interesse
É tudo coração

Como já dizia Cartola
As rosas não falam
Se eles choram
Por que é que eu vou chorar
Eu vou me emocionar
Quando a minha escola
Na avenida entrar
Mostrando ao mundo
O que eu quero ver

Como já dizia Renatinho,
Valtinho, Cotoco
É mangueira verdadeira
Área de lazer

Quarta e sexta-feira
Rola o futebol
O morro desce em peso
Pra
jogar na moral
A regra aqui uma falta
Não existe
Se não gostou vacilão
Fica de fora e assiste

É, eu moro lá, eu moro lá,
Engenho Novo, Engenho Novo

Favela (O Rappa)

Vá dizer pra ela que o curral do samba é a passarela,
vá dizer pra ela que o rio de janeiro todo é uma favela,
senhor, candeia, noel, cartola, adoniram
vá dizer pra ela que o rio de janeiro todo é uma favela,
vá dizer pra ela que o som que eu faço vem lá da favela,


me vem na memória as rodas de samba
é batuque na palma da mão
roda de samba de bamba


velha guarda, portela
velha guarda, mangueira
viola, jamelão


vá dizer pra ela que o curral do samba é a passarela,
vá dizer pra ela que o rio de janeiro todo é uma favela,
de madureira à sepetiba, passando por santa cruz,
bate bola de bixiga de boi
bate bola de sebo de bixiga de boi
é nos terreiros do samba
que a molecada cresce e ama sua escola
e faz as mãos e os pés sangrar

quando os anos passam
quando ele se emociona
de ver sua escola ganhar

tiro de misericórdia

Elza Soares

Composição: Joao Bosco E Aldir Blanc

O menino cresceu entre a ronda e a cana
Correndo nos becos que nem ratazana.
Entre a punga e o afano, entre a carta e a ficha
Subindo em pedreira que nem lagartixa.
Borel, juramento, urubu, catacumba,
Nas rodas de samba, no eró da macumba.
Matriz, querosene, salgueiro, turano,
Mangueira, são carlos, menino mandando,
Ídolo de poeira, marafo e farelo,
Um Deus de bermuda e pé-de-chinelo,
Imperador dos morros, reizinho nagô,
O corpo fechado por babalaôs.

Baixou oxolufã com as espadas de prata,
Com sua coroa de escuro e de vício.
Baixou cão-xangô com o machado de asa,
Com seu fogo brabo nas mãos de corisco.
Ogunhê se plantou pelas encruzilhadas
Com todos seus ferros, com lança e enxada.
E oxossi com seu arco e flecha e seus galos
E suas abelhas na beira da mata.
E oxum trouxe pedra e água da cachoeira
Em seu coração de espinhos dourados.
Iemanjá, o alumínio, as sereias do mar
E um batalhão de mil afogados.

Iansã trouxe as almas e os vendavais,
Adagas e ventos, trovões e punhais.
Oxum-maré largou suas cobras no chão.
Soltou sua trança, quebrou o arco-íris.
Omulu trouxe o chumbo e o chocalho de guizos
Lançando a doença pra seus inimigos.
E nana-buruquê trouxe a chuva e a vassoura
Pra terra dos corpos, pro sangue dos mortos.

Exus na capa da noite soltara a gargalhada
E avisaram a cilada pros orixás.
Exus, orixás, menino, lutaram como puderam
Mas era muita matraca e pouco berro.
E lá no horto maldito, no chão do pendura-saia,
Zumbi menino lumumba tomba da raia
Mandando bala pra baixo contra as falanges do mal,
Arcanjos velhos, coveiros do carnaval.

- irmãos, irmãs, irmãozinhos,
Por que me abandonaram?
Por que nos abandonamos
Em cada cruz?

- irmãos, irmãs, irmãozinhos,
Nem tudo está consumado.
A minha morte é só uma:
Ganga, lumumba, lorca, Jesus

Grampearam o menino do corpo fechado
E barbarizaram com mais de cem tiros.
Treze anos de vida sem misericórdia
E a misericórdia no último tiro.

Morreu como um cachorro e gritou feito um porco
Depois de pular igual a macaco.
Vou jogar nesses três que nem ele morreu:
Num jogo cercado pelos sete lados.

Música Urbana 2

Legião Urbana

Composição: Renato Russo

Em cima dos telhados as antenas de TV tocam música urbana,
Nas ruas os mendigos com esparadrapos podres
cantam música urbana,
Motocicletas querendo atenção às três da manhã -
É só música urbana.

Os PMs armados e as tropas de choque vomitam música urbana
E nas escolas as crianças aprendem a repertir a música urbana.
Nos bares os viciados sempre tentam conseguir a música urbana.

O vento forte, seco e sujo em cantos de concreto
Parece música urbana.
E a matilha de crianças sujas no meio da rua -
Música urbana.
E nos pontos de ônibus estão todos ali: música urbana.

Os uniformes
Os cartazes
Os cinemas
E os lares
Nas favelas
Coberturas
Quase todos os lugares.

E mais uma criança nasceu.
Não há mais mentiras nem verdades aqui
Só há música urbana.
Yeah, Música urbana.
Oh Ohoo, Música urbana.

América do Sul

Ney Matogrosso

Composição: Paulo Machado


Deus salve a América do Sul
Desperta, ó claro e amado sol
Deixa correr qualquer rio
Que alegre esse sertão
Essa terra morena, esse calor
Esse campo, essa força tropical
Desperta América do Sul,
Deus salve essa América Central
Deixa viver esses campos molhados de suor
Esse orgulho latino em cada olhar,

Aldeia - Kleiton e Kledir - Vira Virou



Vira Virou
Kleiton e Kledir
Composição: Kleiton Ramil

Vou voltar na primavera
E era tudo que eu queria
Levo terra nova daqui
Quero ver o passaredo
Pelos portos de Lisboa
Voa, voa que eu chego já
Ai se alguém segura o leme
Dessa nave incandescente
Que incendeia minha vida
Que era viajante lenta
Tão faminta da alegria
Hoje é porto de partida
Ah! Vira virou
Meu coração navegador
Ah! Gira girou
Essa galera

Aldeia - Vitor Ramil - Ramilonga



Ramilonga
Vitor Ramil
Composição: Vitor Ramil

Chove na tarde fria de Porto Alegre
Trago sozinho o verde do chimarrão
Olho o cotidiano, sei que vou embora
Nunca mais, nunca mais
Chega em ondas a música da cidade
Também eu me transformo numa canção
Ares de milonga vão e me carregam
Por aí, por aí
Ramilonga, Ramilonga
Sobrevôo os telhados da Bela Vista
Na Chácara das Pedras vou me perder
Noites no Rio Branco, tardes no Bom Fim
Nunca mais, nunca mais
O trânsito em transe intenso antecipa a noite
Riscando estrelas no bronze do temporal
Ares de milonga vão e me carregam
Por aí, por aí
Ramilonga, Ramilonga
O tango dos guarda-chuvas na Praça XV
Confere elegância ao passo da multidão
Triste lambe-lambe, aquém e além do tempo
Nunca mais, nunca mais
Do alto da torre a água do rio é limpa
Guaíba deserto, barcos que não estão
Ares de milonga vão e me carregam
Por aí, por aí
Ramilonga, Ramilonga
Ruas molhadas, ruas da flor lilás
Ruas de um anarquista noturno
Ruas do Armando, ruas do Quintana
Nunca mais, nunca mais
Do Alto da Bronze eu vou pra Cidade Baixa
Depois as estradas, praias e morros
Ares de milonga vão e me carregam
Por aí, por aí
Ramilonga, Ramilonga
Vaga visão viajo e antevejo a inveja
De quem descobrir a forma com que me fui
Ares de milonga sobre Porto Alegre
Nada mais, nada mais

Aldeia - Deixando o Pago - Vitor Ramil



Deixando o Pago
Vitor Ramil
Composição: Vitor Ramil (poema de João da Cunha Vargas)

Alcei a perna no pingo
E saí sem rumo certo
Olhei o pampa deserto
E o céu fincado no chão
Troquei as rédeas de mão
Mudei o pala de braço
E vi a lua no espaço
Clareando todo o rincão
E a trotezito no mais
Fui aumentando a distância
Deixar o rancho da infância
Coberto pela neblina
Nunca pensei que minha sina
Fosse andar longe do pago
E trago na boca o amargo
Dum doce beijo de china
Sempre gostei da morena
É a minha cor predileta
Da carreira em cancha reta
Dum truco numa carona
Dum churrasco de mamona
Na sombra do arvoredo
Onde se oculta o segredo
Num teclado de cordeona
Cruzo a última cancela
Do campo pro corredor
E sinto um perfume de flor
Que brotou na primavera.
À noite, linda que era,
Banhada pelo luar
Tive ganas de chorar
Ao ver meu rancho tapera
Como é linda a liberdade
Sobre o lombo do cavalo
E ouvir o canto do galo
Anunciando a madrugada
Dormir na beira da estrada
Num sono largo e sereno
E ver que o mundo é pequeno
E que a vida não vale nada
O pingo tranqueava largo
Na direção de um bolicho
Onde se ouvia o cochicho
De uma cordeona acordada
Era linda a madrugada
A estrela d’alva saía
No rastro das três marias
Na volta grande da estrada
Era um baile, um casamento
Quem sabe algum batizado
Eu não era convidado
Mas tava ali de cruzada
Bolicho em beira de estrada
Sempre tem um índio vago
Cachaça pra tomar um trago
Carpeta pra uma carteada
Falam muito no destino
Até nem sei se acredito
Eu fui criado solito
Mas sempre bem prevenido
Índio do queixo torcido
Que se amansou na experiência
Eu vou voltar pra querência
Lugar onde fui parido

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Sabonetes - Quando Ela Tira o Vestido

Então. É banda Curitibana. TOCANDO NO CHUVEIRO. Confiram:

As músicas

Bom galera vejam se estou no caminho. Procurei por musicas que conheço mas que de certa forma me remetem a ideia de cidade ou aldeia. Qualquer coisa excluimos.

Ode Aos Ratos
Chico Buarque
Composição: Edu Lobo / Chico Buarque

Rato de rua
Irrequieta criatura
Tribo em frenética proliferação
Lúbrico, libidinoso transeunte
Boca de estômago
Atrás do seu quinhão
Vão aos magotes
A dar com um pau
Levando o terror
Do parking ao living
Do shopping center ao léu
Do cano de esgoto
Pro topo do arranha-céu
Rato de rua
Aborígene do lodo
Fuça gelada
Couraça de sabão
Quase risonho
Profanador de tumba
Sobrevivente
À chacina e à lei do cão
Saqueador da metrópole
Tenaz roedor
De toda esperança
Estuporador da ilusão
Ó meu semelhante
Filho de Deus, meu irmão
Rato
Rato que rói a roupa
Que rói a rapa do rei do morro
Que rói a roda do carro
Que rói o carro, que rói o ferro
Que rói o barro, rói o morro
Rato que rói o rato
Ra-rato, ra-rato
Roto que ri do roto
Que rói o farrapo
Do esfarra-rapado
Que mete a ripa, arranca rabo
Rato ruim
Rato que rói a rosa
Rói o riso da moça
E ruma rua arriba
Em sua rota de rato





Força Estranha
Roberto Carlos
Composição: Caetano Veloso

Eu vi um menino correndo
Eu vi o tempo
Brincando ao redor
Do caminho daquele menino...
Eu pus os meus pés no riacho
E acho que nunca os tirei
O sol ainda brilha na estrada
E eu nunca passei...
Eu vi a mulher preparando
Outra pessoa
O tempo parou prá eu olhar
Para aquela barriga
A vida é amiga da arte
É a parte que o sol me ensinou
O sol que atravessa essa estrada
Que nunca passou...
Por isso uma força
Me leva a cantar
Por isso essa força
Estranha no ar
Por isso é que eu canto
Não posso parar
Por isso essa voz tamanha...
Eu vi muitos cabelos brancos
Na fonte do artista
O tempo não pára e no entanto
Ele nunca envelhece...
Aquele que conhece o jogo
Do fogo das coisas que são
É o sol, é o tempo, é a estrada
É o pé e é o chão...
Eu vi muitos homens brigando
Ouvi seus gritos
Estive no fundo de cada
Vontade encoberta
E a coisa mais certa
De todas as coisas
Não vale um caminho sob o sol
E o sol sobre a estrada
É o sol sobre a estrada
É o sol...
Por isso uma força
Me leva a cantar
Por isso essa força
Estranha no ar
Por isso é que eu canto
Não posso parar
Por isso essa voz, essa voz
Tamanha...


Fagner
Composição: Vinícius Cantuária & Evandro Mesquita

Há muito tempo que falo
Da natureza e de amor
Das coisas mais simples
Dos homens, de Deus
Canto sempre a esperança
Acredito no azul que envolve o planeta toda manhã
Depende de mim, depende de nós
Escuto um silêncio, ouço uma voz
Que vem de dentro
E enche de luz
Toda nossa tribo... Somos todos índios
Tenho pensado na vida
E no prazer de viver
Nas coisas bonitas
Entre eu e você
Meu canto sempre é de luta
Por um mundo de paz
Cuidar das florestas e dos animais


Que País é Este
Legião Urbana
Composição: Renato Russo

Nas favelas, no senado
Sujeira pra todo lado
Ninguém respeita a constituição
Mas todos acreditam no futuro da nação
Que país é esse?
Que país é esse?
Que país é esse?
No Amazonas, no Araguaia iá, iá,
Na Baixada Fluminense
Mato Grosso, nas Gerais e no
Nordeste tudo em paz
Na morte eu descanso, mas o
Sangue anda solto
Manchando os papéis, documentos fiéis
Ao descanso do patrão
Que país é esse?
Que país é esse?
Que país é esse?
Que país é esse?
Terceiro mundo, se for
Piada no exterior
Mas o Brasil vai ficar rico
Vamos faturar um milhão
Quando vendermos todas as almas
Dos nossos índios num leilão
Que país é esse?
Que país é esse?
Que país é esse?

Caxangá
Elis Regina
Composição: Milton Nascimento e Fernando Brant

Sempre no coração
Haja o que houver
A fome de um dia poder moder a carne dessa mulher
Veja bem meu patrão como pode ser bom
Você trabalharia no sol e eu tomando banho de mar
Luto para viver
Vivo para morrer
Enquanto minha morte não vem
Eu vivo de brigar contra o rei
Em volta do fogo todo mundo abrindo o jogo
Com tudo que tem pra contar
Casos e desejos coisas dessa vida e da outra
Mas nada de assustar
Quem não é sincero sai da brincadeira correndo pois pode se queimar
Queimar
Saio do trabalho e
Volto para casa e
Não lembro de canseira maior
Em tudo é o mesmo suor


Bala com Bala
João Bosco
Composição: João Bosco / Aldir Blanc

A sala cala e o jornal prepara quem está na sala
Com pipoca e com bala ¾ e o urubu sai voando
O tempo corre e o suor escorre, vem alguém de porre
Há um corre-corre, e o mocinho chegando, dando.
Eu esqueço sempre nesta hora (linda, loura)
Minha velha fuga em todo impasse;
Eu esqueço sempre nesta hora (linda loura)
Quanto me custa dar a outra face.
O tapa estala no balacobaco e é fala com fala
E é bala com bala e o galã se espalhando, dando.
No rala-rala quando acaba a bala é faca com faca
É rapa com rapa e eu me realizando, bambo.
Quando a luz acende é uma tristeza (trapo, presa),
Minha coragem muda em cansaço.
Toda fita em série que se preza (dizem, reza)
Acaba sempre no melhor pedaço.

CIDADEZINHA QUALQUER

Casas entre bananeiras
Mulheres entre laranjeiras
Pomar, amor, cantar.
Um homem vai devagar
Um cachorro vai devagar
Um burro vai devagar
Devagar ... as janelas olham.
Eta vida besta, meu Deus.

Carlos Drummond de Andrade

By Aline (Nêga)

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

SOIT DANCE COMPANY

MUSICAS TEMA

Segue abaixo algumas musicas com o seguinte tema:


CIDADE / ALDEIA


Faroeste Caboclo - Legião Urbana

1965 (Duas Tribos)

A Cidade - Nação Zumbi

Gentileza - Marisa Monte

Aldeia - Estakazero

Aldeia de Betânia - Sérgio Lopes

Aluga-se - Raul Seixas

Rua Augusta - Raul Seixas

A Banda - Chico Buarque

A Aurora de Nova York - Chico Buarque

A Noiva da Cidade - Chico Buarque

Construção - Chico Buarque

Fado Tropical - Chico Buarque

Suburbio - Chico Buarque

Garota de Ipanema - Tom Jobim



Gde bejoooo


Nêga (Aline)

EU NÃO SOU DA SUA RUA

Eu não sou da sua rua,
Não sou o seu vizinho.
Eu moro muito longe, sozinho.
Estou aqui de passagem.

Eu não sou da sua rua,
Eu não falo a sua língua,
Minha vida é diferente da sua.
Estou aqui de passagem.
Esse mundo não é
Meu, esse mundo não é seu

Composição: Branco Mello - Arnaldo Antunes
Cantora: Marisa Monte

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Essa música é sensacional!!!

Bjs


Aline (Nêga)
Zappa fala sobre sua "ópera" 200 Motels.

domingo, 25 de outubro de 2009

A História das Lágrimas - Jan Fabre

http://www.eca.usp.br/salapreta/PDF07/SP07_022.pdf

Jan Fabr / Terzake - The Orgy of Tolerance



UMA TRIBO, É ISSO QUE EU SOU
Jan Fabre

diálogo para duas vozes

Voz 1
Uma tribo
É isso que eu sou
Esse "eu" estranho
Que nunca a civilização
controlou

Eu vou limpar minha alma
Para me renovar
Para cair
E para me torturar
Com uma dor de dentes insuportável
Com gengivas inflamadas
E uma terrível câimbra nos maxilares
Que me absorve totalmente
E me faz romper com tudo
Até o ponto de não
Tocar mais a vida
Até o ponto em que o desaparecimento se revela
Eu vou limpar a minha alma
E não vou parar
Antes de encontrar a paz
Antes de parar de me perder nos meus pensamentos
Antes de me libertar da dor de ser livre

Essa dor ardente
Sentir os pensamentos que se deslocam
Estar sempre a caminho
E jamais parar
Em mim
Eu não vou parar de
Limpar minha alma
Camada após camada
Até que reste apenas
A calcificação esférica
De um único pensamento

Eu sou um espírito queixoso
Que não sabe como agir
E que toma sempre o caminho incerto
Da mortificação delirante que é sua vida
que gravita apenas nos despenhadeiros escarpados
Para examinar o eestrangulamento do seu ser
Pssss, pssst, pssst, pssst, pssst
Pssss
Eu sei
Eu perdi a minha língua
Mas isso não dá a vocês
o direito de continuar
Eu desconfio
Dessas merdas permptórias
Que etiquetam
As criações e o pensamento
Pssss, pssst, pssst, pssst, pssst
Pssss
Eu desconfio dos cantores de ópera
Esses funcionários gordos e
bem pagos
que escarram sons em sua alma com
a precisão de flechas castradas
Pssss, pssst, pssst, pssst, pssst
Pssss
Eu desconfio dos compositores
Essas putas de opretas que vomitam notas
E copiam uns dos outros as
Melodias afetadas
A golpes de mouse no computador
Pssss, pssst, pssst, pssst, pssst
Pssss
eu desconfio dos atores
Esses travestis maquiados demais
Que só sabem falar quando
Alguém lhes escreve um texto
e pareecem papagaios mecânicos
Pssss, pssst, pssst, pssst, pssst
Pssss
Eu desconfio dos escritores
Esses escrevinhadores plagiários
Que deixam seu espírito traicado girar
Ao sabor dos ventos, como cata-ventos
Pssss, pssst, pssst, pssst, pssst
Pssss
Lá onde outros propõem criações
Eu só quero mostrar
Meu espírito implicante
Eu não quero mais lamentar isso
Pois eu perdi a minha língua
Pssss, pssst, pssst, pssst, pssst
Pssss

O que estou fazendo?
Talvez eu tenha apenas uma tarefa!
Eu mordo a mão de Deus
Eu não solto os dentes
Continuo a morder até ser lavado
Pelos jatos de sangue de Deus
eu não devo me purificar
Porque ele me cega
Estou destinado a ser um vidente
Que não vê
Eu erro
Eu flutuo

Voz 2
Há muito tempo não vejo mais a terra
Mas meus pés estão cheios de bolhas

Voz 1
Eu não parar
Camada após camada
Eu vou limpar minha alma
até que resta apenas
a calcificação esférica
de um único pensamento

Eu sou o velho cão
selvagem
Que vê as cores do arco-íris
E que geme e chora sob a lua e
Sob o sol
Pssss, pssst, pssst, pssst, pssst
Pssss
Um esqueleto destroçado
Envolvido por músculos finos e ardentes
Raquíticos e crispados
Como se fosse feito de vidro
E frágil
(...)

First Movie

ALGUMAS PALAVRAS SOBRE UMA LINGUAGEM



A LINGUAGEM SECRETA DO CINEMA
Jean-Claude Carrière


C3121 Carrière,Jean-Claude,1931-
A linguagem secreta docinema / Jean-
Claude Carrière ; tradução Fernando Albagli,
Benjamin Albagli. – Rio de Janeiro : Nova
Fronteira, 1995.

ISBBN 85-209-0651-6
Tradução de: The secret language of film

1. Cinema. 2. Cinema – Linguagem
1. Título.
CDD 791.43
CDU 791.43



INTRODUÇÃO
9

ALGUMAS PALAVRAS SOBRE UMA LINGUAGEM
13

Naquelas mesmas terras africanas, nos primórdios do cinema, quando os expectadores menos intransigentes abriam realmente os olhos para o novo espetáculo, mal podiam compreendê-lo.Mesmo quando reconheciam algumas das imagens de outro lugar – um carro, um homem, uma mulher, um cavalo-, não chegavam a associá-las entre si. A ação e a história os deixavam confusos. Com uma cultura baseada em rica e vigorosa tradição oral, não conseguiam se adaptar àquela sucessão de imagens silenciosas, o oposto absoluto daquilo a que estavam acostumados. Ficavam atordoados. Ao lado da tela, durante todo o filme, tinha que permanecer um homem, para explicar o que acontecia.Luis Buñuel ainda conheceu esse costume (que subsistia na áfrica na década de 50) em sua infância na Espanha, em torno de 1908 ou 1910. De pé, com um longo bastão, o homem apontava os personagens na tela e explicava o que eles estavam fazendo. Era chamado explicador. Desapareceu – pelo menos na Espanha – por volta de 1920.
Imagino que surgiam tipos como esse mais ou menos em toda parte. Porque o cinema criou uma nova – absolutamente nova –linguagem, que poucos espectadores podiam absorver sem esforço ou ajuda.
Bem no princípio, não era esse o caso (pelo menos é o que imaginamos). Nos primeiros dez anos, ainda era, apenas uma seqüência de tomadas estáticas, fruto direto da visão teatral. Os acontecimentos vinham, necessariamente, um após o outro, em seqüência ininterrupta, dentro daquele enquadramento imóvel, e podia-se acompanhar a ação bem facilmente. A primeira reação da platéia era de outro tipo: as pessoas tinham curiosidade de saber de que era feita aquela imagem em movimento; vendo nela uma espécie de nova realidade, buscavam a ilusão, o truque. Mas, depois da primeira surpresa, quando ficava claro que o trem dos irmãos Lumière não os ia esmagar, os espectadores rapidamente compreendiam a seqüência de acontecimentos, ordenados rolo a rolo, fictícios ou imaginários, que se expunham diante de uma câmera imóvel. Afinal, não era diferente do que acontecia no teatro, onde o palco era estático e claramente demarcado. Naquele quadro, personagens surgiam, encontravam-se e trocavam gestos ou, mais exatamente, sinais. Quando deixavam o campo de visão da câmera, era como se saíssem para os bastidores. E, como não tinham voz e (quase sempre) cor, eminentes cabeças concluíram que tudo aquilo era decididamente inferior ao teatro de verdade.
Não surgiu uma linguagem autenticamente nova até que os cineastas começassem a cortar o filme em cenas, até o nascimento da montagem, da edição. Foi aí, na relação invisível de uma cena com a outra, que o cinema realmente gerou uma nova linguagem. No ardor de sua implementação, essa técnica aparentemente simples criou um vocabulário e uma gramática de incrível variedade. Nenhuma outra mídia ostenta um processo como esse.

sábado, 24 de outubro de 2009

Ai, depois que eu entrei nesse processo me sinto muito mais Nina Hagen. Ainda estão faltando as chupetas, mas a gente chega lá.

JÚPITER MAÇÃ - UM LUGAR DO CARALHO

Eu preciso encontrar
Um lugar legal pra mim
Dançar e me escabelar
Tem que ter um som legal
Tem que ter gente legal
E ter cerveja barata

Um lugar onde as pessoas
Sejam mesmo afudê
Um lugar onde as pessoas
Sejam loucas e super chapadas
Um lugar do caralho

Sozinho pelas ruas de São Paulo
Eu quero achar alguém pra mim
Um alguém tipo assim
Que goste de beber e falar
LSD queira tomar
E curta Syd Barrett e os Beatles

Um lugar e um alguém
Que tornarão-me mais feliz
Um lugar onde as pessoas
Sejam loucas e super chapadas
Um lugar do caralho
Lugar do caralho

Sozinho pelas ruas de São Paulo
Eu quero achar alguém pra mim
Um alguém tipo assim
Que goste de beber e falar
LSD queira tomar
E curta Syd Barrett e os Beatles

Um lugar e um alguém
Que tornarão-me mais feliz
Um lugar onde as pessoas
Sejam loucas e super chapadas
Um lugar do caralho
Lugar do caralho

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

(En)Canta[dores]

Queridos,

vocês que nos ensaios me escutam gritar tanto, será que um dia
vão saber me perdoar?
A luz só tem valor no contraste dos escuros.
Os sons serão brilhantes se escutarmos
claramente
a ausência dos ( ).


João Gilberto.
Jurei sobre a bíblia para o juiz de paz
que esse homem nunca um dia deu um grito na sua vida.
Nem pra chamar ônibus.
Mas tão pacato o cidadão, vive surrando os
burros zurradores, com a tranquilo e detalhista como o mestre
Yoda.


Louvemos o deus tímido da guitarra
a cantar, travestidamente, uma canção de ofidiólogo;
E cuidem comigo o segundo 1'04", quando ele diz
"rolando um dadinho" como só os gênios sabem dizer!

O João é --------->
<--------- (com perdão pro palavrão)
praladeposmoderno.

Jan Fabre



















terça-feira, 20 de outubro de 2009

Ave Verum - Mozart (Rock!!!)

Escuta isto!!!

Kamelot - Ghost Opera

É aí Jorge!!!
ÓPERA ROCK!!!!!!

Mozart - Ave verum corpus - Vienna boys choir

Roberto Carlos e Luciano Pavarotti - Ave Maria (1998)

Beyonce - Ave Maria

Ave Maria (Schubert) - Andrea Bocelli

Pavarotti - Ave Maria - Schubert

Massa, Público e Povo



Villa Lobos, Uma Vida de Paixão

"Eu sou que nem gato, me enxotam no quintal eu volto pelo telhado. Esse é o truque. Eles não perceberam. Não é o povo! Não e Não! É preciso não trocar. Não confundir o povo. Povo! Não confundir... Nem com público, nem com massa...é importante. A massa é a massa. O público se enfeita todo e vai para as salas de concerto, com cara de quem está entendendo tudo. É preciso notar a diferença. A massa é horizontal, o público é vertical + o povo, pelo menos o povo brasileiro é DIAGONAL. É por isso que eu gosto do povo, e é por isso que a minha música é popular. Popular porque eu cuido muito mais do aspecto DIAGONAL do que horizontal ou vertical."

domingo, 18 de outubro de 2009

REFLEXÃO sobre nossa OPERISSIMA EXPERIMENTOSA

Aqui vão umas reflexões da primeira face do processo:

Encontros e desencontros num processo que nos confunde e nos surpreende ao mesmo tempo. Somos um Frankenstein, ainda sem forma, feito de retalhos ... textos, sons, palavras, melodias, corpos, ritmos, amores, pessoas, conceitos, idéias, imagens, medos, erros. Todo isso dialogando com nosso momentum (pessoal, histórico e político), além de nossa equipagem de herança cultural, conceitual popular e erudita.

Desconstruímo-nos de nossas certezas para jogar-nos na edificação de uma criação coletiva, uma OPERISSIMA EXPERIMENTOSA. Claramente desorientados, achamos uma identidade de fazer que não nos foi revelada, a construímos dia a dia.

Enquanto ao corpo... que é minha praia... aqui vão conceitos acolhidos na peça, que explicam seu comportamento coreográfico geral.

CORPO OBJETO. O corpo nosso de cada dia é proposto como objeto de um jogo público, forte colisão entre o público e o privado, entre nos e os outros.
Desapegamo-nos de sua significância intima e doamos-lho para uma construção maior coletiva, mediada pela confiança e uma contenção, compreensiva e absoluta dos colegas; que nos permite jogar-lho, percutir-lho, manipular-lho, vozipulhar-lho (manipulação com a voz) com risco ao ponto de ser objeto mesmo.

CORPO COLETIVO. É escolhido pela sua condição de vazio de identidades particulares, alienado, é explorado na sua qualidade de grão de areia. O fato coletivo transcende esteticamente o fato individual. Mas, o coletivo não está construído desde uma codificação estrita na forma, como acontece com as técnicas codificadas (Exemplo: Balé) se não desde o fluxo de energia que o contem, que o movimenta, que o faz existir.

CORPO PRESENTE. Só falante ou cantante, o corpo presente se apresenta num estado extra cotidiano. Com uma presencia cênica dilatada, o corpo presente pode até apresentar ou representar sua própria ausência. Não faz quase nada, mas é imenso.

CORPO COTIDIANO. Em contraponto aos conceitos abstratos colocados, o corpo popular e cotidiano é imprescindível como mediação com o público e sua bagagem de significados. Na procura de uma fácil empatia e identificação, o corpo cotidiano nos resulta o mais acessível dos signos desde o ponto de vista da mediação.

CORPO SIMBIÓTICO. É o corpo vulnerável que se move com extremo cuidado, sensível, com uma capacidade de escuta dilatada, dialoga com as circunstancias externas como um bebe. Não ha mediação, o diálogo e a respostas são quase instantâneas. Relaciona-se com outro corpo, mesmo deferente a ele, de um jeito nutritivo para ambos. Os corpos simbióticos agem ativamente em conjunto, mesmo quase imperceptivelmente. Na inter-relação simbiótca os corpos/organismos envolvidos instalam uma forma íntima de comprtamento que se torna obrigatória.

CORPO NU. É o corpo privado exposto como tal, violentado em sua condição de privado. Mostrar o corpo nu é uma ação política de insubordinação.

CORPO MEDIADO Mediante a tecnologia de uma câmera ou webcam se possibilita outro olhar. Privilegiando o espectador ao poder mirar desde esse olhar tecnológico, através de projeção de circuito fechado.

CORPO SOM. Corpo emissor dum “corpo de som” com capacidade de manipular outro corpo desde o corpo mesmo de sua voz. Variação do conceito de manipulação, para vozipulação. Considerando a manipulação, não com as mãos e sim com a voz.

Desculpas pelos possíveis erros ortográficos e gramaticais.

Abraços
Mariana G Spatakis
Preparadora Corporal e Direção Coreográfica da OPERISSIMA EXPERIMENTOSA Ave María não morro.
Visite meu blog:
http://marianaspatakis.blogspot.com/

O CORPO INSUBORDINADO

Leer no seguinte link:

corpo insubordinado

abraço
mariana

NOSSA MARIA do conto ESTADUAL


imagem do artista plástico Antony Micalle
boa síntese de nossa María

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Conceitualmente

"Arte Conceitual" é um termo usado pela primeira vez pelo artista americano Sol LeWitt para definir seu próprio trabalho. Artista visual, LeWitt foi influenciado pelos readymades de Marcel Duchamp e um reconhecido criador de instalações; sua proposta poética era a de conseguir resultados que pudessem ser alcançados através de uma proposição esquemática, usando objetos comuns e de fácil alcance – vamos pensar, algo assim como “oito cadeiras de madeira dispostas em círculo; um guarda-chuva preto de ponta-cabeça pendendo do teto a 3,5m do chão, no centro desse círculo; tinta amarela espalhada com action-painting por todo o chão” (esta instalação eu acabei de inventar =P). O caráter desse tipo de arte seria o do abandono dos critérios estéticos como recursos centrais de expressão – esses que são aceitos socialmente e pertencentes a um padrão cultural estabelecido – que seria substituído então a obediência estrutural a uma idéia, ou conceito, que seria ao mesmo tempo a fonte e o fim da obra de arte.

A arte conceitual nunca foi um movimento, embora tenha estado mais ou menos na moda, antes ou agora, neste ou naquele lugar. Por isso, os conceituais foram autores das mais diversas áreas de expressão, e a partir da década de 1960 acabaram por ajudar a estabelecer um novo tratamento para as disciplinas artísticas (como todo mundo sabe, hoje já não temos mais “pintura, escultura e desenho”, mas artes visuais; “teatro, música e dança” mas artes performáticas; etc. Os conceituais são padrinhos de algumas dessas mudanças teóricas).

Como toda forma moderna de expressão artística, a arte conceitual é um poço de novas possibilidades. Entre outras características, a arte conceitual é pret-a-porter: uma vez que trabalha com elementos intelectuais e não materiais, torna virtualmente impossível que a ação artística tome o caráter de fetichização que é comum à arte clássica – a obra de um artista visual contemporâneo, sobretudo depois do advento da internet, possui sua força exatamente na sua capacidade de reprodução, e não na sua natureza única e preciosa. Contudo, uma vez que o mercado para futilidades é imenso e voraz – e uma vez que a economia mundial é baseada em relações de troca que devem contradizer relações de produção – sempre surgem figuras capazes de estragar as melhores invenções...

Foi o caso do como sempre pateta e imprestável Damien Hirst, dândi maior das múmias bilionárias dos MoMAs, Christie´s e Guggenheims: em julho sua exposição na TATE Gallery de Londres foi visitada por Cartrain, um artista urbano inglês da nova geração (na linha de Banksy, Basquiat). Cartrain parece ter resolvido criticar uma das instalações de Hirst, Pharmacy”, avaliada atualmente em 10 milhões de libras (!).


Pharmacy é uma instalação tipicamente conceitual: trata-se de um amontoado de objetos comuns ordenados de uma maneira razoavelmente comum: são prateleiras com caixas de medicamentos, uma escrivaninha, quatro jarros, quatro vasos e um matador elétrico de moscas. Apesar de negar as acusações, parece que Cartrain teria se apossado de um dos elementos da instalação – um estojo de lápis, que ficava sobre a escrivaninha. Esse item, que deve custar em qualquer papelaria algo em torno de uns três reais, fazia parte de uma obra de arte milionária, e Hirst o está processando Cartrain no valor de 500 mil libras – algo em torno de um milhão e meio de reais.

O jovem pixador não tem, é claro, dinheiro pra pagar pelo caríssimo e artístico elemento (seus agentes vendem cópias em número limitado, dez de cada, de obras suas a sessenta e cinco libras cada cópia) e seu pai acabou sendo preso (Cartrain é menor de idade). Esta não é a primeira vez que Hirst o processa: sobre um trabalho de 2008, que utiliza uma fotografia de sua obra “Pelo Amor de Deus”, avaliada em 50 milhões de libras, o milionário está exigindo participação nos lucros obtidos com a venda da reproduções baratas do iconoclastinha.

Com o estojo de lápis furtado, Cartrain teria criado a colagem "Extorsão". Diferente de Hirst, Cartrain não se considera um artista conceitual (ele se define apenas como “guerrilheiro”). Mas, enfim, vale a pena perguntar: nos conceitos de Picasso e LeWitt, quem será o "grande artista"? Davi ou Golias?

Levando um conceito a sério

Organ²/ASLSP (As SLow aS Possible) é uma obra musical composta por John Cage que é fonte da mais lenta e duradoura performance musical já realizada. Foi escrita originalmente em 1987 para órgão e adaptada da obra anterior ASLSP de 1985; uma performance normal num piano duraria entre 20 e 70 minutos[1]. Em 1985 Cage optou por omitir o detalhe de "exatamente quão devagar a obra deveria ser tocada".

The current organ performance of the piece at St. Burchardi church in Halberstadt, na Alemanha; começou em 2001 e está programada para durar 639 anos, acabando em 2640.

Na Wikipedia, em inglês:

http://en.wikipedia.org/wiki/As_Slow_As_Possible

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Arnaldo Baptista - Louvado seja Deus

Clara Nunes - Portela na Avenida

amigos

Sou Jorge Falcon, compositor e diretor musical da Opera Ave maria não morro

acabei de postar no meu blog pensando em musica um texto sobre o nosso trabalho

Salve Ave Maria não morro!!

abraços a todos

sábado, 10 de outubro de 2009

Luciano Berio

Sinfonia, 1º movement

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Beirut - Elephant Gun

Beirut - Elephant Gun

Google Groups

Olá, meus caros.
O projeto "Ave Maria Não Morro" conta agora também com mais dois espaços virtuais.
O e-mail para o grupo, que a Sara criou, no gmail:ave.naomorro@gmail.com

E o espaço para arquivos, no Google Grupos:

Página inicial do grupo: groups.google.com.br/group/avenaomorro//

Endereço de e-mail do grupo: avenaomorro@googlegroups.com

Consultem o espaço: Páginas, arquivos. Coloquei muitas fotos sugeridas por alguns contos.
Divirtam-se, comentem, colaborem.
Vamos botar fogo neste pouco tempo que nos resta!

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Glauber Rocha - Maranhão 66

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.


Maranhão 66 é um documentário de curta-metragem brasileiro de 1966, dirigido por Glauber Rocha.



Sinopse

A pedido do então
governador eleito e amigo José Sarney (então com 35 anos), Glauber Rocha produziu um documentário sobre a cerimônia da posse do político em ascensão da UDN/ARENA em 1966, dois anos depois do golpe militar de 1964. A posse de Sarney, em 1966, marcava o início da domínio político de sua família no Maranhão, interrompido somente em 1º de janeiro de 2007, com a posse de Jackson Lago no Palácio dos Leões.
Ante o
discurso de posse de Sarney e a celebração da multidão com o novo governo, o documentário expõe a miséria da população maranhense. Enquanto Sarney, em um exercício retórico, se comprometia solenemente a acabar com as mazelas do estado, o filme mostrava as mesmas: casas miseráveis, hospitais infectos, vítimas da fome ou da tuberculose.

Terra em Transe
Glauber retirou dois planos dos negativos de Maranhão 66 para sobrepor em
Terra em Transe. Foi utilizado para um comício do personagem Filipe Vieira (vivido por José Lewgoy), governador da província de Alecrim, no fictício país chamado Eldorado. Vieira era um político demagogo que se elegeu à custa do voto dos camponeses e operários e que, após assumir o governo, ordenou o fuzilamento dos líderes populares.
Foi também no set de Maranhão 66 que Eduardo Escorel, então técnico de som, leu pela primeira vez o
roteiro de Terra em Transe, filme em que assinaria a montagem.

Comentários
Sobre o documentário,
Glauber Rocha comentou em 1980: "É uma reportagem sobre as eleições de um governador (José Sarney) no Maranhão; é muito importante para mim, porque o filmei com som direto e foi uma experiência muito útil para “Terra em Transe” porque participei das etapas de uma campanha eleitoral"[1]

José Sarney disse: "Tomava eu posse no governo do Maranhão e fiz uma ousadia que não deveria ter feito com um amigo da estatura de Glauber Rocha. Eu lhe pedira que documentasse a minha posse. Glauber fez o documentário que foi passado numa sala de cinema de arte, há 15 anos. E quando o público viu que uma sessão de cinema de arte ia ser passado um documentário que podia ter o sentido de uma promoção publicitária, reagiu como tinha que reagir. Mas aí, o documentário começou a ser passado, e quando terminaram os 12 minutos o público levantou-se e aplaudiu de pé, não o tema do documentário mas a maneira pela qual um grande artista pôde transformar um simples documentário numa obra de arte: ele não filmou a minha posse, ele filmou a miséria do Maranhão, a pobreza, filmou as esperanças que nasciam do Maranhão, dos casebres, dos hospitais, dos tipos de ruas, e no meio de tudo aquilo ele colocou a minha voz, mas não a voz do governador. Ele modificou a ciclagem para que a minha voz parecesse, dentro daquele documentário, como se fosse a voz de um fantasma diante daquelas coisas quase irreais, que era a miséria do Estado".[2]

Referências

Entrevista com Glauber Rocha - 1981
Entrevista do senador José Sarney ao Jornal do Brasil - 25 de agosto de 1981.